Como é frequente, hoje vários delegados passaram pelo centro de saúde, para apresentar os seus medicamentos, deixando connosco os panfleto dos mesmos. Hoje, estava eu e um IAC a ver um dos panfletos e ele reparou que, numa página mostrava um gráfico de como a mortalidade com o x fármaco era inferior à sem o mesmo, em letras pequeninas, em baixo, lia-se a referência do estudo, de 1996. LOL! (o que são 21 anos no avanço da medicina!?)
Senhora de meia idade, estado demencial avançado cuja hemoglobina desceu 4 valores de repente. Professor pergunta-nos o que fazemos. Pode ser hemorragia digestiva, alguém diz endoscopia, ele pergunta o que fazemos antes. Lavado naso gástrico. Toque rectal pra ver se tem melenas. Negativos. Alguém sugere hemorragia cerebral, professor diz que quantidades tão grandes levariam à morte da doente num espaço fechado como o crânio.
Professor diz que há dois sítios em que se dão hemorragias que não dão grandes sinais:
1- Espaço retroperitoneal. Fez-se ecografia. Não há sangue.
2- Coxas. Observa-se as coxas da doente, tem hematomas.
Este ano, não sei porquê, estou à beira de um ataque de nervos, e não o digo de forma figurativa. A mudança dos primeiros três anos de faculdade, em que só temos que estudar, para o 4º ano, que é já clínico é, para a maioria dos meus colegas, motivo de grande felicidade e orgulho. Para mim, por outro lado, trouxe-me mais medo que outra coisa. Não consigo explicar porquê, mas fui invadida pelo pânico de não ser boa suficiente, de não evoluir, de não ter sucesso. Hoje ia a conduzir e lembrei-me (é óbvio, mas no meio do meu medo 99% irracional não me havia ainda ocorrido), se estamos aqui, é porque não sabemos. Se soubéssemos não era preciso estar na faculdade, era só vestir uma bata, por o estetoscópio ao ombro e já estava.
Decidi criar este blog para ir relatando a vivência da minha aprendizagem, achei que seria interessante. Dito isto, vamos lá começar o primeiro ano clínico dos (espero eu) muitos que estão para vir!