A minha bis-avó está internada. No primeiro quarto do serviço onde ela está, havia dezenas de peluches por todo o lado. Nunca vi quem lá estava, mas um dia passei e ouvi-a a falar alegremente para alguém através do computador, era uma rapariga jovem. Um dia fui à sala de enfermagem para saber mais informações sobre a minha bis-avó, e enquanto esperava procurei-a no quadro, tem vinte e poucos anos e Esclerose Lateral Amiotrófica, uma doença neurodegenerativa que geralmente leva à morte uns 2 a 5 anos após o diagnóstico. Não consigo deixar de pensar nisto desde então... É uma doença horrível. Pode acontecer a qualquer um, aquela rapariga se calhar, no ano passado levava uma vida completamente normal e não fazia ideia o que o futuro lhe reservava. É horrível e injusto e absolutamente assustador.
Os peluches são queridos, imagino quem os decidiu por, terá sido a mãe, que a tenta fazer-se sentir em casa? Será a própria? Que está decidida a tornar o seu mundo mais colorido? ...
A pessoa tenta olhar para o lado. Para isso, um olho olha para fora, com o par craniano VI, o outro olha para o nariz, com o III. O olho que olha para fora consegue fazê-lo, mas o outro olho não se mexe, e continua a olhar para frente. O olho que olhou pró sitio certo (olho que olhou...), fica com nistagmo, como que confuso por ver (pun intended) que o outro olho não se está a desviar. O olho confuso fica todo "Should I stay or should I go now? If I stay there will be trouble, If I go he will see double." (get it? Porque fica um olho a olhar pra cada lado?)
(...) Eu divirto-me a estudar...
Nota teórica: Já agora, estas pessoas conseguem fazer a convergência, porque nesse caso é o cortex que dá a ordem ao III par. O problema na oftalmoplegia internuclear não é o III par do olho que não mexeu, que ele é funcional, mas sim a comunicação entre o VI par e o III (quando se olha para um lado o cortex dá a informação ao VI par desse olho, que por sua vez passa a informação ao III do outro olho, é isto que tá afetado nestes casos")